O festival anual de música e artes de Coachella Valley chegou oficialmente, trazendo consigo sua mistura habitual de cartazes repletos de estrelas, alta moda e preços premium. No entanto, este ano, os festivaleiros estão a notar um fenómeno estranho: as enormes multidões famintas tradicionalmente vistas nas barracas de comida parecem estar desaparecidas.
Embora o festival tenha sido concebido para ser uma vitrine culinária com restaurantes de primeira linha de todo o país, a falta de longas filas nas barracas de comida gerou um debate sobre por que os participantes estão pulando os lanches.
A Teoria “Ozempic” vs. Realidade Econômica
Um vídeo viral do TikTok do influenciador Bran (@bran__flakezz) iniciou recentemente esta conversa. Depois de observar barracas de comida quase vazias durante o horário nobre das refeições, às 18h, Bran propôs um culpado moderno: o uso generalizado de medicamentos GLP-1, como o Ozempic.
A teoria sugere que se uma parcela significativa da população do festival estiver usando medicamentos para perda de peso que suprimem o apetite, a demanda por comida do festival cairá naturalmente. Essa observação repercutiu em muitos espectadores, transformando a tendência em um ponto focal de discussão nas redes sociais.
No entanto, muitos outros argumentam que a explicação é muito mais simples e mais fundamentada na economia. O principal impedimento pode não ser a falta de fome, mas sim o “imposto do festival” – o custo inflacionado dos produtos dentro do local.
O custo de jantar em um festival
A discrepância entre os preços padrão dos restaurantes e o menu do Coachella é gritante. Os participantes compartilharam fotos destacando as grandes marcações necessárias para comer no local:
- Dave’s Hot Chicken: Uma combinação de sanduíche de frango e batatas fritas custa US$ 30, quase o triplo do preço encontrado em locais padrão. Para efeito de comparação, uma combinação semelhante de controle deslizante em Nova York custa cerca de US$ 11.
- Preços Gerais: Os comentaristas observaram que muitas refeições básicas variam entre US$ 30 e US$ 50, uma barreira significativa até mesmo para os festivaleiros mais dedicados.
Como o Coachella mantém uma política rígida que proíbe alimentos e bebidas de fora, os participantes são forçados a escolher entre pagar esses preços premium ou passar fome.
Uma mudança nas prioridades do festival?
O debate destaca uma tendência mais ampla na forma como os eventos de grande escala são vivenciados. Em um vídeo de acompanhamento, Bran apontou um contraste revelador: enquanto as filas para comida permaneciam curtas mesmo em eventos privados onde a comida era gratuita, as filas para itens não essenciais – como óculos de sol personalizados – eram incrivelmente longas.
Isso sugere uma mudança no comportamento do consumidor. Seja impulsionada por mudanças biológicas (uso de GLP-1) ou por restrições financeiras (inflação e margens elevadas), a “fome” que antes definia a experiência do festival parece estar diminuindo.
À medida que os preços dos alimentos continuam a subir nos grandes eventos, os festivais podem enfrentar um desafio crescente: como alimentar uma multidão que tem menos fome física ou que está cada vez mais relutante em pagar um prémio pelo sustento básico.
Em resumo, a incomum falta de filas de comida no Coachella provavelmente decorre de uma combinação de preços exorbitantes dos cardápios e da crescente prevalência cultural de medicamentos supressores do apetite.


































